Desde que me conheço por gente, sou apaixonada por moda. Eu era uma criança, talvez uma das únicas, que trocava os brinquedos pelas roupas. Fui crescendo, o tempo passando e pouca coisa mudando. O saldo de tudo isso? Um guarda-roupa explodindo; a promessa de um ano inteiro sem comprar roupas, sapatos ou afins; a busca por uma nova consciência e um blog para compartilhar essa história com você.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Livros


Desde a minha promessa, tenho evitado ir ao shopping com frequência, mas quando vou dou prioridade em visitar livrarias. Sempre gostei de frequentá-las, mas agora tem um gostinho especial de dedicação pois tenho tempo para xeretar tudo, desde livros de viagem a gastronomia. Por isso, esses dias acabei parando na sessão auto-ajuda (embora eu já tenha lido alguns títulos, não é o tipo de literatura que me atrai). De frente para uma ilha de livros fiquei impressionada com alguns títulos: “Novos Solteiros”; “100 dias sem ele”; “Seduzindo o clube do bolinha”; “Felicidade - ela está ao seu alcance”; “O segredo das mulheres apaixonadas”; ”Homem cobra, mulher polvo”; “Guia da mulher ousada para uma vida espetacular”.

Eu quase morri de tanto rir, fiquei pensando em quem compra um livro com o título “Seu príncipe pode ser uma cinderela”. Imagina o desespero da pessoa?! E por que ler um livro para saber se ele é uma cinderela? Não é muito mais fácil encarar o problema e partir para a conversa? Outro título: “Por que algumas mulheres se casam e outras não?” Esse particularmente me irrita, porque me parece aquele estilo de livro que busca um estereótipo de “a mulher que consegue homem”, encorajando a infeliz que está lendo a seguir um padrão de comportamento para ser merecedora de um homem. Um outro que deve ir na mesma onda é “Por que os homens se casam com as manipuladoras?”. É aquele tipo de conselho barato que você ouve das pessoas como “você deve ser uma santa na mesa e uma puta na cama”. A vontade que me dá de dizer para a criatura que lê um livro desses é “minha filha: seja você mesma, confie em você, se valorize e seja feliz independente de ter um homem do seu lado”.


Temos a mania de achar que para cada coisa existe uma fórmula. Busca-se uma solução rápida e certeira, mas do meu ponto de vista me limito a dizer: não existe fórmula. Você conhece uma pessoa e às vezes as coisas acontecem, outras não. Não se martirize, não é sua culpa (bom, talvez seja, mas aí provavelmente não era a pessoa certa). Tem homem para tudo que é tipo de mulher e mulher para tudo que é tipo de homem. Basta saber se a loucura de vocês combina.

Não estou querendo dizer que livros de auto-ajuda são umas porcarias, embora alguns sejam mesmo. Existem títulos bem legais, mas o que quero dizer é que às vezes ficamos procurando tantas verdades que nos esquecemos que a melhor solução para as coisas darem certo está no fato de sermos naturais. Fiquei muito tempo saindo com os caras e fazendo tipinhos, joguinhos. Quando conheci o Bruno, mostrei exatamente quem eu era: mostrei que tinha um chulé horrível quando usava Melissa, que morro de preguiça de usar fio dental, que tenho mil manias de gente velha, que falo com uma voz de retardada com a minha cachorra e que às vezes sou muito mal-humorada. Mostrei quem eu era e o que eu queria daquela relação. Foi aí que pela primeira vez as coisas realmente deram certo.

Claro que buscar a resposta em nós mesmo é sempre mais difícil. Eu mesmo , adoro uma formula milagrosa, mas hoje em dia sei que o melhor caminho é quando olho para dentro e tento me encontrar. Apesar de ser muito mais doloroso, quando colho os frutos estes são sempre mais saborosos, por que nenhum livro nesse mundo vai saber o que é melhor para mim além de eu mesma.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Dicas


Para quem não quer ficar com um guarda-roupa como o meu, e consegue praticar o desapego melhor que eu, segue algumas dicas legais:

- Faça uma faxina periódica no seu guarda-roupa! O ideal é que seja feita de dois em dois meses, para que você reveja e relembre de peças que podem ser aproveitadas para renovar o look ou então para doar a alguém que precise. (Na verdade de dois em dois meses é exagero né?! )

- Sempre que comprar uma peça nova, tenha o compromisso de tirar uma antiga do guarda-roupa. Assim haverá sempre um rodízio e necessidade de atualizar o seu vestuário sem culpa; (Tudo bem, mas agora me diga: vale comprar uma blusa nova e tirar um pé de meia furada?)

- Os sapatos também passam por esse processo! Vá fundo no armário para relembrar aqueles pares que você já não faz mais idéia que existem e, aproveite para verificar se alguns deles estão precisando de uma visita até o sapateiro antes de doá-los; (Dica: Não jogue muitos sapatos fora de uma vez, por que ai você terá mais espaço e logo achará que esta precisando de uns novos)

- Faça uma lista do que você está verdadeiramente precisando, e estipule esses itens como “prioridades”, acima de qualquer outra peça. (isso é um ótimo conselho racional, mas a gente sabe que no fundo quem manda é o emocional. Se você esta em uma loja e se apaixona por uma peça tu convence até o papa que precisa dela)

- Invista mais dinheiro em peças-chave, que são de extrema relevância para o dia a dia e tem durabilidade, como uma calça jeans, um casaco preto e um scarpin básico. Estes itens, além de fáceis de serem combinados em qualquer look, podem ser compostos com uma diversidade imensa de assessórios e ornamentos que fazem toda a diferença. Já o que for “modismo” não deve tomar muito do seu bolso, por isso, analise muito bem o custo x benefício de cada peça, levando em consideração exatamente na respectiva ordem e relevância: o seu dinheiro, a sua necessidade e o seu gosto! (Isso é uma dica para a vida toda)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010


Essa semana entrei em uma loja e, mesmo não podendo comprar nada (mesmo sem a promessa não compraria lá, acho a loja um absurdo de cara), tenho que admitir: as peças são sempre lindas e adoro namorá-las. Nisso vem a vendedora:
- Posso te ajudar?
- Não, obrigada, hoje estou só olhando.
- Estamos com alguns descontos.
- Que pena, estou só olhando mesmo. Fiz uma promessa de ficar um ano sem comprar roupa e não posso quebrar, né?
- Mas então temos uns acessórios liiiiiiindos!
- Na verdade não posso comprar acessórios também.
- Sério? E sapatos?
- Também não.
- Mas por que você fez isso contigo?
- Humm... difícil explicar, talvez para me testar.
Ela me olha com cara de paisagem, como se pertencêssemos a mundos diferentes. Afasta-se, como que para me deixar à vontade, e nunca mais torna a mim.
Eu dou as costas e me sinto feliz por não ter mais ninguém para me bajular.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um dia de compras


Eu trabalho numa agência de publicidade, no departamento de planejamento. Meu chefe, confiando no meu bom gosto, pediu que escolhesse um uniforme novo para a Taniele, nossa recepcionista. Não tive como dizer não e nem tive como negar que a idéia de sair no meio da tarde atrás de roupas me agradou muito. Acabei indo para o shopping e, ao entrar nas lojas em busca de peças com boa relação custo x benefício, me lembrei o quanto isso é prazeroso.


Fiquei impressionada com lojas como Renner e C&A, que estão com umas peças mais elaboradas e modernas. Acabei entrando também na Hering e, como nas últimas vezes, fiquei surpresa com a evolução da marca em termos de estilo, hoje muito além do básico, buscando design com conforto. Foi lá que encontrei umas saias muito bonitas de cintura alta que vão até o joelho (sem parecer uma Maria mijona). Depois, passei na Zara e descobri umas camisas lindas com um corte bem acabado, num bordô exatamente no tom da cor oficial da agência. Dei mais umas voltinhas mas não arrisquei comprar porque, embora eu tenha experimentado tudo (claro que não ia perder a oportunidade), a roupa muda de corpo para corpo.


No dia seguinte fui com a Taniele ao shopping e é claro que tudo que eu havia gostado ficou ótimo nela. Fomos primeiro na Hering e saímos de lá com duas saias muito alinhadas. Depois, Renner, mas não tinha nada muito atrativo. Então passamos na Zara e lá o rombo foi um pouco maior: 4 camisas e uma calça. Por fim, passamos na Arezzo e compramos um sapato pois, embora algumas pessoas possam achar um exagero comprar sapato para uma recepcionista, eu sei que ele diz muito sobre uma pessoa. E um sapato feio colocaria a minha produção e reputação por água abaixo.


Enfim, saímos do shopping: eu feliz com a sensação de tarefa cumprida e a Taniele felicíssima com as suas novas aquisições. Ganhei elogios do tipo “nossa! você é ótima para fazer compras” (quase respondi “tu nem imagina quanto”) e “você tem muito bom gosto” (isso é a mesma coisa que dizer para uma anoréxica que ela está pele e osso). Adorei a massagem no ego.


Porém, quando cheguei na agência me bateu um sentimento de culpa, tão recorrente em mim. Senti-me mal por ter de repente gastado demais, um dinheiro que ainda por cima não era nem meu. Daí, quando fiz as contas e vi que tinha comprado R$ 580,00 em roupa para a Tani, me senti muito mal. Na verdade, fiquei apavorada! Aos poucos, fui me acalmando e me lembrando que tudo que eu comprei era de bom gosto e tinha qualidade, e que provavelmente duraria mais que a recepcionista. E nem era tanto assim para a quantidade de roupa que eu havia comprado. Se meu chefe queria algo diferente teria que arcar com isso, não é? Depois de respirar fundo e me encher de argumentos que justificavam aquele gasto, fui falar com ele.


- E ai Victoria, comprou as roupas?
Respondi sem titubear: "Sim, são lindas". Fui explicando o que havia comprado a as combinações que as peças fariam e ele, sem entender muito o que eu estava falando, me interrompeu e perguntou:
- Gastou muito?
Tremi quase como vara verde, parecia que eu tinha 17 anos e estava respondendo essa pergunta à minha mãe depois de ela me emprestar o seu cartão para comprar um sapato. Respondi: "Ah, na faixa de uns 500". Notem, arredondei para baixo, um ato fallho também já recorrente.
Ele me olhou com uma cara de apavorado pensando onde essa louca comprou as roupas. E eu, já pensando em toda a explicação de que aquele valor não era nenhum absurdo, apenas respondi:
- Eu tenho bom gosto, mas nunca disse que era boa em economizar.