Desde que me conheço por gente, sou apaixonada por moda. Eu era uma criança, talvez uma das únicas, que trocava os brinquedos pelas roupas. Fui crescendo, o tempo passando e pouca coisa mudando. O saldo de tudo isso? Um guarda-roupa explodindo; a promessa de um ano inteiro sem comprar roupas, sapatos ou afins; a busca por uma nova consciência e um blog para compartilhar essa história com você.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sobrando


Começamos o mês e uma coisa inédita aconteceu: não só estava com dinheiro sobrando no caixa como, além de pagar todas as minhas contas, ainda organizei-me para pagar uma dívida antiga com o meu plano de saúde. Bom, né?! Na verdade, isso é ótimo; no meu caso, então, quase inacreditável. E o dinheiro que sobrou? Para este, eu já achei várias finalidades. Na verdade eu já o gastei de umas vinte formas diferentes sem ele nem mesmo ter saído da minha carteira. Algumas manias não mudam.

Eu estava analisando o meu comportamento, tentando ser a minha terapeuta, e descobri que meu principal problema não é gastar o dinheiro em roupas, mas sim gastar o dinheiro. Explicando melhor: tem períodos em que fico com muita vontade de gastar e, claro, até então sempre o fiz com roupa, que é o que me traz mais satisfação, mais alegria, mais tudo. Agora, fico procurando coisas com o que gastar, e a segunda que me traz mais prazer é minha casa. E nos últimos tempos, aproveitei para comprar todas aquelas coisinhas que estavam faltando, desde a toalhinha de centro de mesa até a renovação de alguns tapetes. Uma delícia, a casa ficou ainda mais bonita.

A questão é que fico realmente agoniada para gastar e, nessas horas, até com o encanador é legal. Não, na verdade com o eletricista é mais ainda porque ele sempre põe uma tomada nova e tal. Isso, pelo que percebo, é meio que um fator genético que vem nas mulheres. Eu não vejo isso no Bruno, ele não tem essa mesma vontade. Dou graças a Deus, porque se tivesse com certeza estaríamos falidos. Afinal, alguém tem que ter controle. O Bruno não gasta dinheiro com quase nada, às vezes até namora um instrumento musical e, quando incentivado por mim a comprar, diz "vou pensar um pouco melhor". Quase louca eu grito: leva de uma vez!

Então, tenho tentado entender em mim o porquê de tanto consumir. Estava em Urubici nesse fim de semana e conheci a Carol, que morava em Floripa, se mudou para lá e montou um restaurante, muito charmosinho por sinal. Ela me disse: "ganho menos do que ganhava em Floripa, mas hoje preciso de muito menos, aqui não tenho com o que gastar, não preciso de tanta coisa". E eu? Será que preciso? Até aqui, não consigo imaginar uma vida diferente da que levo, longe desse sentimento de alegria em ter as coisas, em precisar das coisas, mas é sempre algo para se pensar, para aprender a dosar e, quem sabe, um dia até desapegar.