Desde que me conheço por gente, sou apaixonada por moda. Eu era uma criança, talvez uma das únicas, que trocava os brinquedos pelas roupas. Fui crescendo, o tempo passando e pouca coisa mudando. O saldo de tudo isso? Um guarda-roupa explodindo; a promessa de um ano inteiro sem comprar roupas, sapatos ou afins; a busca por uma nova consciência e um blog para compartilhar essa história com você.


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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Aniversário


Sexta feira, 25 de junho, dia do meu aniversário. Combinei com o Bruno que ele não me daria nenhum presente porque eu não estava precisando de nada (entendam que eu não precisar de nada é uma evolução enorme) e afinal acabamos de comprar um terreno e estamos um pouco descapitalizados. Eu disse a ele que precisava ir ao shopping, pois tinha que comprar um presente para uma grande amiga que faz aniversário no mesmo dia que eu. Ele, muito querido que é, viu o meu post aí embaixo e disse que queria me levar ao shopping para me dar de aniversário alguma peça de roupa. É claro que eu não neguei, adorei por sinal, mesmo quebrando uma das regras que diz que, caso eu ganhe uma roupa, não posso pedir nem escolher; mas era meu niver e podíamos abrir uma exceção.

Fomos na a Farm. A loja estava com uma promoção que fazia mais parecer um tudo por 1,99: eram muitas mulheres, todas desesperadas, a loja estava uma bagunça e tinha uma fila enorme no provador. Achei horrível, achei todas umas descontroladas, me senti melhor que elas e quase desisti e fui embora, num ato budístico de desapego. Mas eu ainda não estou tão evoluída assim e tinha a desculpa do presente da Lu para comprar. Comecei a olhar tudo muito calma, estava tranqüila, separando umas roupas e, quando menos esperava, um shortinho que eu tinha separado foi-me surrupiado por uma outra cliente na cara dura. Daí pensei: “isso é uma guerra!”. Eu acabei entrando na guerra, fiquei tão distraída que uma coisa que era para ser feita entre eu e meu namorado na boa virou uma verdadeira jornada em busca das melhores peças. Quando vi, o Bruno dormia no sofá e eu já estava com a metade da loja para experimentar. Que desespero, me rendi e fui para o provador, experimentei, experimentei e à medida que ia gostando das peças a situação ia se complicando, afinal eu ia ganhar somente uma. Depois de meia hora, saí do provador com uma cara de cachorro sem dono dizendo para o Bruno que queria duas peças de roupa, o vestido e o casaquinho... Ele logo cortou o meu barato e disse que teria que escolher somente uma. Quase chorei, fiquei mal, irritada com ele porque, afinal de contas, era meu aniversário e ele teria que fazer as minhas vontades. Acabei escolhendo o vestido. Entreguei para ele muito mal humorada e ambos fomos para o caixa, ele para pagar o meu presente e eu para pagar o presente da minha amiga.

Eu sou uma pessoa que quando quer uma coisa realmente faz de tudo para conseguir. Agindo de uma forma totalmente emocional, coloquei o casaquinho junto com o presente que eu daria à minha amiga e pedi que fosse colocado em pacotes de presentes separados. É, eu estava quebrando a minha promessa, sucumbindo ao meu desejo e ao meu descontrole. Logo que saí da loja me dei conta do que tinha feito. Fui acometida por um sentimento enorme de culpa, fiquei mal, briguei com o Bruno e estraguei a nossa noite romântica. Sabia que teria que reparar meu erro, porque voltar atrás já não dava mais, então resolvi que daria o casaquinho de presente a uma amiga que eu estava devendo um presente, assim arrumaria a situação. Mas o mais difícil ainda tinha de feito, cumprir com o que eu prometi no primeiro post: ser sincera sempre.

Por isso estou aqui narrando o meu louco comportamento. Deixando margem para me julgarem.
Com isso tudo vi o quanto é difícil controlar o meu desejo, a minha vontade, o quanto é difícil dizer não a mim mesma, impor os meus limites. Penso que eu estava indo muito bem e que não precisava me colocar naquela situação, mas tendo me colocado acabei me descobrindo um pouco mais.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

verdade

Outro dia estava vendo um filme tipo B e tinha um alcoólatra que tentava se curar do vício; para isso, um dos passos era pedir desculpas às pessoas a quem havia feito mal. Daí refleti, me inspirei no filme, respirei fundo e fui conversar com o Bruno: precisava contar a ele que desde que moramos juntos compro umas roupinhas escondidas. Que por diversas vezes escondi uma sacolinha dentro da bolsa, no banco de trás do carro, no porta-malas, ou às vezes até fazia uma entrada rápida e rasteira em casa para esconder a prova do crime. Enfim, fiz mil artimanhas das quais não me orgulho nem um pouco.


Bom, a conversa não foi fácil, achei que ele iria ficar feliz por eu contar a verdade, mas ele ficou muito chateado com a mentira, ainda mais porque construímos uma relação pautada na verdade. Para mim isso era uma mentirinha boba, na verdade nem era mentira e sim só uma omissão sem importância. Tentei argumentar que a maioria das mulheres fazem isso, inclusive as minhas amigas.


É quase como quando você é criança e quer esconder alguma coisa errada dos seus pais: eu não estava disposta a ouvir que eu não precisava gastar com roupas, que mal tinha onde guardar as que já tinha, ou que era importante para ele confiar que estávamos juntos no projeto de economizar para tocar adiante nossos planos. Racionalmente eu concordava, mas quando via uma blusinha linda falando para mim "me compra, me compra" não conseguia resistir; e se estivesse em promoção, então era quase um trabalho de caridade com aquela peça que ninguém tinha dado bola até eu, a humanitária, a levar para casa.


Enquanto discutíamos eu lembrava de uma amiga, ouvia ela me falando que não se conta essas coisas para os homens nem sob tortura, porque eles nunca vão entender. Eu concordo com ela, os homens não têm essa capacidade de compreensão da mulher. Como explicar para eles que fazer uma produção, se olhar no espelho e se achar linda é como conquistar o mundo? Pode até ser um prazer momentâneo, mas é uma delícia.


Enfim, fico feliz de ter dito a verdade, não que isso pesasse na minha consciência, mas entendi que não devo nada para ninguém (exceto para o cartão de crédito), nem com quem divido a cama, e antes de ser sincera com os outros preciso ser sincera comigo mesma.


terça-feira, 11 de maio de 2010

Opinião de amiga

Você tem uma ideia, acha que é a ideia do ano, uma superideia, fica emocionada e o que você faz? Corre para contar para suas amigas, é claro.

Falando muito rápido você diz:
- Gurias, tive uma superideia: percebi que estou fazendo tudo errado, preciso parar com esse consumismo por roupa; então decidi fazer uma promessa e ficar um ano sem comprar nada! Mas para isso dar certo preciso de testemunhas, então decidi narrar toda essa jornada num blog.

O que você espera? Uma reação sincera:
- Ai Vicky, olha pra ti (to olhando), tu acha mesmo que tu consegues ficar um ano sem comprar roupa? (Tá, na verdade não esperava tanta sinceridade assim.)
- Acho, acho sim, acho mesmo, acho muito. Na verdade não acho, tenho certeza.

Bom, mas o melhor é que amiga que é amiga tem liberdade de falar o que pensa e eu fico muito feliz que as minhas tenham essa liberdade. E não acho que elas não acreditam em mim, mas querem saber até onde estou comprometida. Fazem o papel de advogadas do diabo e eu agradeço muito.

Acabo me convencendo a cada momento que a ideia é boa e vou criando mais vontade de me superar, de superar as expectativas, não pelos outros, mas para provar a mim mesma que consigo fazer qualquer coisa que eu me proponha. Sei que ainda é muito cedo para falar nisso, afinal estou só há dois dias sem comprar roupa. No domingo, fui no shopping fazer as compras de despedida com a minha amiga Tita e comprei duas blusas, um blusão, uma saia e um sapato. Nada que eu precisasse, é claro, mas era despedida né?!